O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) marcou para esta terça-feira (31 de janeiro), às 15h, a recontagem dos votos para deputado estadual referentes às eleições de 2022. Esta medida é crucial para cumprir a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, alterando profundamente a composição do legislativo fluminense e a linha sucessória do governo. O Resumo explica e descomplica para você.
Recontagem de Votos Impacta Alerj
O presidente do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, agendou a sessão para 31 de janeiro, às 15h.
Serão recontados os votos para o cargo de deputado estadual nas eleições de 2022.
A ação decorre da cassação do deputado Rodrigo Bacellar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Bacellar foi ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Com a anulação dos seus 97.822 votos, a distribuição de vagas entre partidos e federações na Alerj será alterada.
O que isso muda na prática: A cassação de Bacellar e a consequente recontagem de votos não apenas removem um nome proeminente da Alerj, mas também podem mudar a representatividade de outros partidos e, potencialmente, levar novos deputados a assumir cadeiras, alterando equilíbrios políticos e agendas legislativas.
Entenda a Cassação de Rodrigo Bacellar
Bacellar foi cassado por destinação de recursos da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do RJ (Ceperj) com fins eleitorais.
No mesmo julgamento, o TSE também tornou inelegíveis o ex-governador Cláudio Castro e Gabriel Rodrigues Lopes, então presidente da Ceperj.
Cláudio Castro foi considerado governador cassado e inelegível até 2030.
A decisão do TSE ocorreu em um julgamento desfavorável a Castro, que enfrentava acusações de abuso de poder político e econômico na campanha de 2022.
O que isso muda na prática: A cassação por uso irregular de fundos públicos reforça a fiscalização sobre campanhas eleitorais e o uso da máquina pública. Para o cenário político do RJ, significa a perda de importantes lideranças e a instabilidade na governança, com reflexos diretos na imagem e funcionamento das instituições.
Anulação da Eleição na Alerj Agrava Crise
Nesta quinta-feira (26 de janeiro), a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou a votação que elegeu Douglas Ruas (PL) como presidente da Alerj.
A magistrada considerou que o processo eleitoral na Alerj só poderia ser deflagrado após a retotalização dos votos pelo TRE-RJ.
A retotalização é essencial para definir a composição oficial do colégio eleitoral da Alerj, apto a participar da escolha do novo presidente.
A Mesa Diretora da Alerj acatou parcialmente a decisão do TSE, considerando apenas a vacância do cargo de presidente.
A eleição sem o cumprimento integral da decisão do TSE interfere na escolha do novo presidente da Alerj e na definição de quem irá assumir o governo do estado interinamente.
O que isso muda na prática: A anulação da eleição para a presidência da Alerj adiciona uma camada de incerteza e instabilidade. Sem uma liderança consolidada na Assembleia e com um governador interino, a capacidade de gestão e tomada de decisões urgentes no estado fica comprometida, afetando diretamente a administração pública e a população.
Cenário da Sucessão do Governo do Rio
Desde maio de 2025, o estado do Rio de Janeiro não tinha vice-governador, com a renúncia de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Com isso, Rodrigo Bacellar, como presidente da Alerj, passou a ser o primeiro na linha sucessória.
Em 3 de dezembro de 2025, Bacellar foi preso pela Operação Unha e Carne (PF), que investigou ligação com o Comando Vermelho (CV).
Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Bacellar foi afastado da presidência da Alerj.
O deputado Guilherme Delaroli (PL) passou a presidir a Alerj interinamente, mas não ocupa lugar na linha sucessória.
Em 23 de janeiro, Cláudio Castro renunciou ao cargo de governador, buscando vaga no Senado e buscando escapar de inelegibilidade.
Atualmente, o comando do Executivo do Rio de Janeiro está sendo exercido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), Ricardo Couto de Castro.
O que isso muda na prática: A complexa teia de renúncias, cassações e anulações deixa o governo do Rio de Janeiro em um estado de incerteza e fragilidade política. A ausência de um vice-governador e as interinidades afetam a governabilidade, a execução de políticas públicas e a confiança dos cidadãos nas instituições, podendo atrasar decisões importantes para o estado.