O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, admitiu ser sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, a um fundo administrado pelo cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro afirma que declarou todos os valores à Receita Federal e que passou a relatar a investigação sobre a suposta fraude na venda do banco ao Banco de Brasília (BRB) quando a empresa já não tinha mais vínculo com o hotel. O Resumo explica e descomplica para você.
Entenda em 1 minuto: o que está em jogo no “Caso Master”
Um guia rápido para você entender por que o nome de Dias Toffoli entrou no debate.
1) O que aconteceu?
Dias Toffoli informou que é sócio da empresa Maridt, que teve participação no resort Tayayá (PR) e vendeu cotas para um fundo ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master).
2) Por que isso virou notícia?
Toffoli é o relator no STF de investigações sobre o Banco Master e a negociação com o BRB. A dúvida pública é se há conflito de interesse.
3) O que Toffoli diz?
- Que declarou os valores à Receita Federal;
- Que não recebeu dinheiro de Vorcaro nem do cunhado;
- Que virou relator em 28/11/2025, quando a Maridt já não estava mais no grupo do resort.
4) O que a lei permite?
Pela Lei Orgânica da Magistratura, magistrado pode ser sócio e receber dividendos, mas não pode atuar como administrador/gestor. A nota afirma que a Maridt é administrada por parentes.
5) O que acontece agora?
A PF entregou ao presidente do STF (Edson Fachin) material com menções ao ministro. Fachin encaminhou para Toffoli avaliar se há motivo para impedimento ou suspeição.
Tradução: o foco é saber se Toffoli pode seguir como relator sem comprometer a imparcialidade do caso.
6) Qual é o “Escândalo do Banco Master”?
A investigação apura transações financeiras suspeitas e possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e a tentativa de negócio com o BRB. O caso foi ao STF após surgirem referências a autoridade com foro.
Perguntas rápidas (clique para abrir)
Ser sócio de empresa é ilegal para ministro do STF?
Não necessariamente. A regra central é: pode participar e receber dividendos, mas não pode fazer gestão/administrar.
Toffoli está acusado de crime?
Até aqui, o debate é sobre potencial conflito e imparcialidade na relatoria, com material sob sigilo.
O que significa “suspeição” ou “impedimento”?
São hipóteses legais em que o juiz/ministro pode precisar se afastar do caso para garantir a confiança na decisão.
O que Toffoli admitiu oficialmente
Em nota, o ministro confirmou:
- É sócio da Maridt, empresa familiar de capital fechado.
- A companhia era acionista do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).
- Parte das cotas foi vendida em 2021 ao Fundo Arleen.
- O restante foi alienado em fevereiro de 2025 à empresa PHD Holding.
- Todos os valores foram declarados à Receita Federal.
- Nunca recebeu valores de Daniel Vorcaro nem de seu cunhado.
Segundo a defesa, as transações ocorreram “dentro de valor de mercado”.

A questão central: há conflito de interesses?
O ponto sensível do caso é que Toffoli é o relator da investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e sua tentativa de negociação com o BRB.
A Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro menções ao ministro. O material foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, que enviou o relatório ao próprio Toffoli para que ele avalie eventual impedimento ou suspeição.
O que diz a lei?
A Lei Orgânica da Magistratura (LC 35/1979) permite que magistrados:
- Sejam sócios de empresas
- Recebam dividendos
- Desde que não exerçam função de gestão
A assessoria do ministro afirma que ele nunca administrou a empresa, apenas integrou o quadro societário.
Por que o caso gerou mal-estar no STF?
Alguns episódios ampliaram a tensão interna:
- Questionamentos sobre eventual parcialidade.
- Viagem de Toffoli ao Peru para a final da Libertadores ao lado de advogado ligado ao caso.
- Venda de participação do resort para fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.
- Reportagens sobre deslocamentos de seguranças do STF para a região do resort.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) já rejeitou pedido formal para afastamento do ministro.
Entenda o Escândalo do Banco Master
Para compreender o contexto, é preciso entender o que está sendo investigado.
O que é o Banco Master?
O Banco Master é uma instituição financeira privada que ganhou destaque nos últimos anos por operações estruturadas e aquisição de ativos financeiros.
Seu controlador é Daniel Vorcaro.
O que está sob investigação?
A Polícia Federal apura possíveis irregularidades envolvendo:
- Operações financeiras entre o Banco Master e o BRB.
- Estruturas de fundos de investimento.
- Eventuais simulações ou distorções de valor em transações.
As investigações começaram após material apreendido mencionar autoridade com foro privilegiado, o que levou o caso ao STF.
Como o caso chegou ao STF?
O processo foi remetido ao Supremo porque houve menção a um deputado federal no material investigado. Quando há autoridade com foro privilegiado, o caso sobe para o STF.
Toffoli foi escolhido relator por sorteio.
O que a Polícia Federal diz?
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que:
- O relatório final deve ser concluído até 16 de março.
- Nenhuma hipótese está descartada.
- Achados paralelos não serão ignorados.
Pontos que o cidadão precisa entender
✔ Ser sócio de empresa não é ilegal para ministro do STF.
✔ O debate gira em torno de possível conflito de interesse.
✔ Ainda não há acusação formal contra Toffoli.
✔ A investigação principal envolve transações financeiras do Banco Master.
✔ O conteúdo apreendido está sob sigilo.
O que pode acontecer agora?
Há três possibilidades jurídicas:
- Toffoli manter-se no caso.
- Declarar-se impedido.
- O plenário do STF decidir sobre eventual suspeição.
A decisão caberá ao próprio ministro ou, em última instância, ao colegiado.
Por que esse caso é relevante nacionalmente?
Porque envolve:
- Um ministro do STF
- Um banco privado em negociação com banco público
- Possível impacto no sistema financeiro
- Debate sobre transparência institucional
Em um momento de forte polarização política, qualquer questionamento envolvendo a Suprema Corte gera repercussão nacional.