A partir desta segunda-feira (23), o Rio de Janeiro inicia a distribuição da nova vacina contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan, para seus 92 municípios, priorizando trabalhadores da saúde. Essa ação é fundamental para conter o avanço da doença no país, que enfrenta um aumento preocupante de casos. O Resumo explica e descomplica para você.
Vacinação estratégica foca em profissionais do SUS
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) coordenou a distribuição da nova vacina do Instituto Butantan, com 33.364 doses recebidas, sendo 12.500 destinadas à capital fluminense. A estratégia do Ministério da Saúde prioriza os trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS).
– Início da imunização: Nesta segunda-feira (23)
– Abrangência: Todos os 92 municípios fluminenses
– Profissionais vacinados nesta primeira etapa: Médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos. Inclui também agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, além de trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde.
O que isso muda na prática: A imunização direcionada aos profissionais de saúde da linha de frente é crucial para proteger quem está em contato direto com pacientes e amostras. Isso fortalece a capacidade do sistema público de saúde em momentos de surto, garantindo que o atendimento não seja interrompido pela doença entre seus trabalhadores e reduzindo o risco de transmissão em ambientes assistenciais.
Nova vacina Butantan oferece proteção de dose única
A nova vacina apresenta características que otimizam a campanha de imunização, enquanto autoridades de saúde mantêm o alerta sobre a circulação de diferentes sorotipos no estado.
– Formato: Dose única
– Proteção: Contra quatro sorotipos da dengue
– Sorotipos mais frequentes no estado do Rio: Tipos 1 e 2
– Preocupação sanitária: A possível reintrodução do sorotipo 3, ausente no território fluminense desde 2007. Sua volta poderia gerar maior vulnerabilidade da população que nunca teve contato com essa variante, já presente em estados vizinhos.
O que isso muda na prática: A praticidade da dose única agiliza a vacinação e facilita a adesão da população, potencializando a cobertura vacinal. A proteção abrangente contra múltiplos sorotipos é fundamental para combater a dinâmica complexa da doença, especialmente diante da ameaça de reintrodução de variantes que podem causar surtos mais severos.
Monitoramento rigoroso e alerta pós-carnaval no Rio
O estado do Rio de Janeiro mantém um monitoramento contínuo da situação epidemiológica da dengue e outras arboviroses. No entanto, a SES-RJ reforça o alerta para o período pós-carnaval, visto como propício à proliferação do mosquito Aedes aegypti.
– Dados de casos prováveis de dengue: O Centro de Inteligência em Saúde da secretaria indica que, até 20 de fevereiro de 2026, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem confirmação de óbitos.
– Casos prováveis de chikungunya: 41, com cinco internações.
– Casos de zika: Nenhum confirmado no território fluminense.
– Ferramenta de monitoramento: Um indicador composto que analisa atendimentos em unidades de pronto atendimento (UPAs), solicitações de leitos e taxa de positividade dos exames. As informações estão disponíveis em tempo real na plataforma MonitoraRJ.
– Situação atual dos municípios: Atualmente, os 92 municípios estão em situação de rotina.
– Alerta da secretaria: As chuvas intensas que antecederam a folia, combinadas ao calor do verão, criam condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti. A circulação de turistas também amplia o risco de introdução de novos sorotipos.
O que isso muda na prática: A vigilância constante e a transparência dos dados via MonitoraRJ permitem uma resposta ágil. O alerta da SES-RJ serve para conscientizar a população sobre a necessidade de intensificar as medidas preventivas, evitando que o Rio de Janeiro enfrente um aumento expressivo de casos que possa sobrecarregar o sistema de saúde.
Estratégia integrada: da prevenção em casa à alta tecnologia
Além da chegada da nova vacina do Butantan, o combate à dengue no Rio de Janeiro é uma frente ampla que envolve a participação cidadã, outras opções de imunização e investimentos em infraestrutura de saúde e pesquisa.
– Prevenção domiciliar: A principal recomendação é que cada morador dedique ao menos dez minutos por semana para eliminar possíveis criadouros do Aedes aegypti.
– Ações práticas para o cidadão: Verificar a vedação da caixa d’água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar água acumulada em bandejas de geladeira e outros recipientes expostos. No verão, o ciclo do mosquito se acelera com o calor e a chuva, acelerando a eclosão dos ovos.
– Outra vacina disponível: A vacina Qdenga, de fabricação japonesa, que o Ministério da Saúde disponibiliza desde 2023. No estado do Rio, mais de 758 mil doses já foram aplicadas. Entre o público-alvo de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal.
– Investimento em qualificação: A secretaria estadual investe na qualificação da rede assistencial, com videoaulas e treinamentos. Criou também uma ferramenta digital pioneira que uniformiza o manejo clínico da dengue nas unidades de saúde, tecnologia compartilhada com outros estados.
– Capacidade de diagnóstico: O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi estruturado para realizar até 40 mil exames por mês, ampliando a capacidade de diagnóstico não apenas de dengue, zika e chikungunya, mas também da febre do Oropouche, arbovirose transmitida pelo maruim (Ceratopogonidae) e não pelo Aedes aegypti.
O que isso muda na prática: A combinação de prevenção ativa da população, qualificação da rede de saúde, tecnologias de diagnóstico avançadas e múltiplas opções de vacinação forma uma barreira robusta contra a dengue e outras arboviroses. Essa abordagem integrada é essencial para manter a saúde pública sob controle, evitando a sobrecarga da rede assistencial e contendo o avanço da doença antes do outono.