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Restauração na Mata Atlântica da Bahia Acelera Crescimento de Espécies em 50%

Por Gabi Gaspar
21 de fevereiro de 2026
em Notícias
Restauração na Mata Atlântica da Bahia Acelera Crescimento de Espécies em 50%

© Symbiosis/Divugação

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Uma iniciativa focada em restaurar a Mata Atlântica, especificamente na Bahia, obteve resultados notáveis ao reduzir o tempo de crescimento de espécies em até 50%. Este avanço representa um marco crucial para a recuperação de florestas mais produtivas e resilientes às mudanças climáticas que afetam o Brasil. O Resumo explica e descomplica para você.

Inovação Acelera Recuperação da Mata Atlântica

A empresa Symbiosis, por meio de seu braço Empresa Brasileira de Reflorestamento, demonstrou eficácia ao acelerar a recuperação de 1 mil hectares do bioma na Bahia. A estratégia, iniciada em 2014, focou na coleta e mapeamento genético para identificar indivíduos com maior potencial de conservação.

– Redução de até 50% no tempo de crescimento das espécies.

– Recuperação de 1 mil hectares na Bahia.

– Seleção genética de 45 espécies nativas, incluindo jacarandá, jequitibá, ipês e angicos.

– Trabalho iniciado em 2014 com mapeamento genético.

O que isso muda na prática: Essa abordagem genética otimiza o reflorestamento, criando florestas mais robustas e resistentes às intempéries climáticas. Na prática, significa uma recuperação ambiental mais rápida e eficaz, protegendo a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos essenciais para as comunidades locais.

Variabilidade Genética: Chave para a Resiliência

Laura Guimarães, supervisora de melhoramento genético, pesquisa e desenvolvimento da Symbiosis, ressalta que o trabalho visa recriar florestas produtivas mais resilientes. A seleção de matrizes centenárias e a estruturação das novas florestas garantem variabilidade genética.

Mickael Mello, gerente do viveiro de mudas da Symbiosis, explicou que “Muitas dessas matrizes são centenárias, sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada”.

Laura Guimarães complementa que “Indivíduos com diferentes comportamentos e níveis de adaptação são essenciais para a recomposição da diversidade. Ao identificar e selecionar aqueles mais adaptados e resilientes, favorece-se a recuperação de populações mais estáveis e preparadas para enfrentar os desafios ambientais”.

O que isso muda na prática: Essa diversidade genética fortalece a capacidade da floresta de se adaptar a doenças e eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas. Para o leitor, isso se traduz em maior estabilidade ambiental e garantia de recursos naturais a longo prazo.

Impactos da Fragmentação e o Valor da Restauração

Rafael Bitante Fernandes, gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, alerta sobre a drástica redução da Mata Atlântica. Originalmente, o bioma cobria cerca de 130 milhões de hectares; hoje, apenas 24% dessa cobertura permanece, sendo só 12,4% de florestas maduras e bem preservadas.

– Mata Atlântica original: 130 milhões de hectares (equivalente ao Peru).

– Cobertura atual: 24% do território original.

– Florestas maduras e preservadas: Apenas 12,4%.

– Distribuição: Fragmentos em 17 estados brasileiros.

Rafael Bitante Fernandes destaca que “Essa fragmentação reduz o número de indivíduos, compromete a variabilidade genética e enfraquece a capacidade adaptativa das espécies. Sob pressão da dinâmica de uso e ocupação do solo, essas populações tornam-se mais suscetíveis a eventos como déficit hídrico e mudanças climáticas, o que pode levar ao seu declínio progressivo”.

A perda de diversidade afeta diretamente a vida das pessoas, diminuindo a capacidade dos ecossistemas de prover serviços essenciais.

– Disponibilidade de água.

– Qualidade do ar.

– Qualidade do clima.

– Controle de doenças.

– Produtividade de alimentos.

Fernandes ainda complementa que a situação “acaba contribuindo, de forma global, para todos esses problemas climáticos que a gente vem tendo, de chuvas e secas cada vez mais intensas, os extremos climáticos mais constantes, e as tragédias cada vez mais acontecendo – grandes enchentes, enxurradas e escassez de água”.

O que isso muda na prática: A restauração florestal é vital para a segurança hídrica e climática das cidades e do campo. No bolso do cidadão, isso significa menor risco de prejuízos causados por desastres naturais e maior estabilidade na produção de alimentos, afetando diretamente preços e disponibilidade.

Restauração como Investimento Sustentável

A pressão do declínio da Mata Atlântica e os riscos econômicos associados estão mudando a percepção das empresas privadas, que veem a restauração florestal como investimento e oportunidade de negócio, superando a ideia de filantropia.

Rafael Bitante Fernandes explica: “Existem hoje modelos de restauração florestal que contemplam um bom manejo dessa floresta. Então você tem uma exploração permanente, inclusive de produtos madeireiros, mas nunca faz o corte raso daquela floresta ali. Continua sequestrando carbono, faz o uso nobre dessa maneira e ainda pode aproveitar outros subprodutos que não sejam madeireiros como óleos e essências”.

A restauração da Mata Atlântica evoluiu, oferecendo métodos que transformam solos inviáveis em florestas produtivas ou protegem recursos essenciais para a viabilidade econômica de negócios.

Fernandes exemplifica: “A gente tem, por exemplo, empresas geradoras de energia elétrica através da água, para as quais a gente fez projeto de proteção dos mananciais que abastecem essas hidrelétricas. Consequentemente, além de proteger a floresta ali existente, você dá uma longevidade melhor para esse negó”.

O que isso muda na prática: Empresas que investem em restauração garantem a longevidade de seus próprios negócios, seja pela proteção de mananciais para geração de energia ou pela exploração sustentável de recursos florestais. Para o consumidor, isso pode gerar produtos mais sustentáveis e contribuir para a estabilidade econômica regional.

Tags: BahiaGenéticaMata AtlânticaRecuperaçãoResiliência
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