A rede Observatório do Clima lançou, nesta quarta-feira (4), a Agenda Legislativa 2026, revelando um “Pacote da Destruição” com quase 50 propostas no Congresso Nacional. Essas iniciativas legislativas representam sérias ameaças aos direitos socioambientais e ao clima do Brasil, gerando preocupação nacional. O Resumo explica e descomplica para você.
O Pacote da Destruição em Detalhes
A Agenda Legislativa 2026 foi elaborada pela rede Observatório do Clima, que congrega 161 organizações socioambientais. Este documento aponta quase 50 projetos de lei (PLs) e propostas de emenda à Constituição (PECs) que atualmente tramitam no Congresso Nacional.
Conhecido como “Pacote da Destruição”, o material alerta para proposições que ameaçam diretamente o clima e os direitos socioambientais do país. A coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, destacou que o Congresso vem fracionando esses ataques permanentes à legislação protetiva brasileira.
Dados da Agenda Legislativa revelam que cerca de 75% das pautas classificadas como negativas tiveram alguma movimentação ao longo do ano de 2025, indicando um avanço significativo dessas propostas.
O que isso muda na prática: A intensa movimentação dessas propostas no Congresso sinaliza um risco iminente de desmantelamento de legislações ambientais e sociais importantes, com possíveis impactos na proteção de biomas e comunidades tradicionais em todo o país.
Propostas Chave que Preocupam Entidades
Entre as propostas mais criticadas está o Marco Temporal (PEC 48/2023). Essa emenda estabelece que a demarcação de terras indígenas seja limitada apenas a áreas ocupadas ou sob disputa na data de promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. A proposta foi aprovada pelo Senado em dezembro de 2025 e agora aguarda apreciação na Câmara dos Deputados.
Outros projetos incluem os PLs 510/2021 e 2633/2020, que buscam flexibilizar as normas sobre regularização fundiária. Essas medidas podem facilitar a grilagem de terras públicas, gerando conflitos e desmatamento. Além disso, o PL 2374/2020 propõe estender o prazo para regularização de reserva legal desmatada de 2008 para 2012.
O que isso muda na prática: Estas propostas podem gerar insegurança jurídica, aumentar o desmatamento ilegal, intensificar conflitos por terra e comprometer a sobrevivência de povos indígenas e comunidades tradicionais. Há também um impacto direto na biodiversidade e nos ecossistemas brasileiros, ameaçando os recursos naturais.
Impacto e Mobilização: O Alerta das Organizações
O principal objetivo do documento é mobilizar a população brasileira para que cobre de seus representantes no Congresso Nacional o bloqueio desses retrocessos legislativos. Os riscos apontados são amplos, abrangendo âmbitos climáticos, sociais e jurídicos, podendo gerar violência e ameaças contra povos tradicionais e o meio ambiente.
Clarissa Presotti, especialista de Políticas Públicas do WWF-Brasil, adverte que os retrocessos enfraquecem a proteção ambiental. Isso se manifesta na redução de salvaguardas, fragilização do licenciamento ambiental e no incentivo à grilagem de terras públicas. Ela ressalta que, em ano eleitoral, o processo de avanço dessas pautas pode se acelerar, aumentando o risco de um desmonte ainda maior.
O que isso muda na prática: O cenário aponta para um potencial desmonte da legislação ambiental e fundiária, afetando diretamente a segurança jurídica e a qualidade de vida das populações mais vulneráveis. Além disso, pode acelerar a crise climática e a perda de biodiversidade. O engajamento público é crucial para reverter essa tendência e proteger o futuro do Brasil.
Reações de Parlamentares e a Importância do Debate
O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista no Congresso Nacional, expressou gratidão pela união de diversos setores sociais. Ele destacou o esforço conjunto para colocar a agenda socioambiental no centro dos debates políticos, enfatizando a responsabilidade coletiva de manter essa discussão permanente e não restrita apenas ao Legislativo.
Na avaliação do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), a Agenda Parlamentar 2026 do Observatório do Clima se tornará um documento fundamental. Ele acredita que ele reunirá esforços em torno de pautas positivas, fortalecendo o compromisso contra a devastação ambiental e de contenção do colapso climático. Alencar observou que há uma percepção popular de que muitas pautas votadas são contrárias aos interesses públicos e espera que o compromisso eleitoral modifique o foco na devastação.
O que isso muda na prática: A articulação entre a sociedade civil e parlamentares demonstra uma preocupação crescente com as propostas legislativas. O debate público é visto como essencial para influenciar o processo decisório e garantir que a proteção ambiental e social seja uma prioridade, especialmente em períodos eleitorais que podem exacerbar os riscos.