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O que destruiu o parque de diversões mais famoso do Brasil

Por Élcio Jardim
21 de janeiro de 2026
em Curiosidades
O que destruiu o parque de diversões mais famoso do Brasil

Tivoli Park | Reprodução

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Era fim de tarde no Rio de Janeiro. O sol se despedia por trás dos morros, refletindo na água da Lagoa Rodrigo de Freitas, enquanto luzes começavam a se acender à distância. O som metálico dos brinquedos se misturava às risadas, à música alta e ao cheiro de pipoca e algodão-doce.

Ali funcionava o Tivoli Park — um lugar que, por mais de duas décadas, foi sinônimo de diversão, juventude e sonho para gerações de cariocas. Mas por trás do brilho, o fim já estava em movimento.


Um parque inspirado na Europa, com alma carioca

Inaugurado em 1972, o Tivoli Park da Lagoa foi criado pelo empresário circense Orlando Orfei, italiano radicado no Brasil. O nome homenageava o famoso Tivoli, de Copenhague, aberto em 1843 e considerado o segundo parque de diversões mais antigo do mundo — em funcionamento até hoje.

Naquele período, o Rio não tinha shoppings centers modernos, videogames ou internet. A diversão acontecia fora de casa, e o Tivoli surgiu como um parque sem concorrentes diretos, em localização privilegiada, às margens da Lagoa.


Os anos de ouro: quando o Tivoli virou símbolo cultural

Sem dúvida, os anos 1980 foram o auge do parque.
O Tivoli Park se tornou:

  • Ponto de encontro de jovens
  • Programa familiar de fim de semana
  • Espaço de socialização e lazer urbano

Com cerca de 30 brinquedos, o parque recebia mais de 2.300 pessoas em um domingo comum, atraindo visitantes de todo o Grande Rio e até da Região Serrana.

A adoção do sistema de passaporte, que permitia brincar à vontade, impulsionou ainda mais o público. Festivais sazonais, como o famoso “Festival do Sorvetão”, marcaram época e reforçaram o caráter popular do espaço.


Acidentes, denúncias e o início da decadência

A partir do fim dos anos 1980, a imagem do Tivoli começou a se desgastar. Alguns acidentes graves chamaram a atenção das autoridades e da imprensa.

Em 1986, uma criança caiu do brinquedo Expresso do Amor e foi internada em estado grave.
Em 1991, duas pessoas caíram da atração Gaiola das Loucas após falha na porta de segurança, levando à interdição temporária do parque.

Esses episódios abalaram a confiança do público e aumentaram a fiscalização.


O crime que selou o destino do Tivoli Park

O episódio mais grave ocorreu em 13 de março de 1994. Uma criança foi vítima de violência dentro de um brinquedo fechado, conhecido como Castelo das Bruxas. O caso teve grande repercussão nacional e escancarou falhas graves de segurança no parque.

Após o crime, o então prefeito do Rio, Cesar Maia, determinou o fechamento do Tivoli Park, citando não apenas o episódio, mas também:

  • Falta de segurança adequada
  • Ocupação de área pública nobre
  • Contrato vencido de concessão

A tragédia representou um ponto de ruptura definitivo na história do parque.


O fechamento e o vazio deixado na cidade

Depois de resistir por algum tempo a ordens de despejo na Justiça, o Tivoli Park fechou definitivamente em janeiro de 1996, encerrando um ciclo de 24 anos de funcionamento.

O espaço passou por diferentes usos até ser transformado no atual Parque dos Patins, área pública voltada ao lazer, sem brinquedos mecânicos.


Tentativas de retorno — e o fim definitivo

Em 2020, foi anunciada uma tentativa de retorno do Tivoli Park em versão renovada, na Barra da Tijuca. O projeto, no entanto, não se sustentou e acabou encerrado após poucos anos, em meio a problemas fundiários e falta de viabilidade.

Hoje, não há previsão de reabertura.


Um ícone que ainda vive na memória carioca

O Tivoli Park não foi apenas um parque de diversões.
Foi:

  • Símbolo de uma época
  • Reflexo de uma cidade mais aberta ao lazer coletivo
  • Parte da memória afetiva do Rio

Sua ausência ajuda a explicar por que, até hoje, tantos cariocas sentem falta de um grande parque de diversões permanente na cidade.

O Tivoli saiu do mapa urbano — mas permanece vivo na lembrança de quem viveu seus dias de glória.

Tags: BrasilRio de Janeiro
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