Durante décadas, ele esteve presente em quase todos os bairros do Rio de Janeiro. Era o lugar das compras do mês, das filas longas, das promoções anunciadas no rádio e, para muitos jovens, do primeiro emprego. (Vídeos abaixo)
O Sendas não era apenas um supermercado. Era um símbolo do varejo fluminense, profundamente ligado à rotina e à memória afetiva de milhões de famílias. Ainda assim, mesmo parecendo imbatível, a rede desapareceu quase sem alarde.
A ascensão de um império regional
Fundado no Rio de Janeiro, o Sendas cresceu apostando em algo simples, mas poderoso:
- Forte presença nos bairros
- Preços competitivos
- Grande geração de empregos
- Identidade regional
Em seu auge, a rede:
- Tinha dezenas de lojas espalhadas pelo estado
- Empregava milhares de funcionários
- Dominava o varejo alimentar fluminense
- Competia diretamente com grandes grupos nacionais
Durante muito tempo, o Sendas conseguiu atravessar crises econômicas, inflação, planos monetários e mudanças no consumo brasileiro.
Quando o mercado começou a mudar
A partir dos anos 1990 e 2000, o setor de supermercados passou por uma transformação profunda:
- Consolidação de grandes grupos nacionais
- Entrada de multinacionais
- Aumento da competição por preço e escala
- Margens cada vez mais apertadas
O varejo deixou de ser apenas regional. Escala, logística e poder de negociação passaram a ser decisivos.
E foi nesse novo cenário que o modelo do Sendas começou a perder força.
A venda e o começo do fim
Diante da pressão do mercado, o Sendas acabou sendo adquirido pelo Grupo Pão de Açúcar. A princípio, a operação parecia garantir a sobrevivência da marca. Mas, na prática, aconteceu o oposto.
O GPA iniciou um processo de:
- Reorganização das lojas
- Mudança de bandeiras
- Padronização nacional
- Corte de marcas regionais
Pouco a pouco, o nome Sendas foi sendo retirado das fachadas, substituído por outras marcas do grupo.
Do supermercado tradicional ao atacarejo
Com o avanço do modelo de atacarejo, mais barato e focado em volume, o mercado mudou novamente. Nesse contexto, muitas lojas do antigo Sendas foram convertidas para a bandeira Assaí, que cresceu rapidamente em todo o país. O que antes era um supermercado de bairro virou um modelo completamente diferente — mais impessoal, focado em grandes compras e menos ligado à identidade local.
Um desaparecimento silencioso
Diferente de outras grandes marcas que quebraram de forma traumática, o Sendas não fechou de uma vez.
Ele simplesmente:
- Foi sendo absorvido
- Teve o nome apagado
- Saiu das lembranças mais recentes
Hoje, muita gente passa em frente a antigas unidades sem saber que ali funcionou uma das maiores redes de supermercados da história do Rio de Janeiro.
🎥 O vídeo que explica essa queda
O vídeo abaixo detalha como o Sendas cresceu, dominou o varejo fluminense e, mesmo assim, acabou desaparecendo em meio às transformações do mercado:
A lição que fica
A história do Sendas mostra que:
- Liderança regional não garante sobrevivência
- Escala nacional mudou o jogo do varejo
- Marcas locais podem desaparecer sem quebrar
- Nem sempre o fim vem com falência — às vezes vem com absorção
Para o Rio de Janeiro, o Sendas permanece como um símbolo de uma era do comércio, marcada por proximidade, identidade local e relações mais humanas no varejo.
O assassinato de Arthur Sendas e o impacto na história da rede
A trajetória do Sendas também foi marcada por um episódio trágico que abalou profundamente a empresa e o varejo brasileiro. Em 20 de outubro de 2008, Arthur Sendas, fundador da rede e uma das figuras mais influentes do comércio no Rio de Janeiro, foi assassinado.
O crime teve grande repercussão nacional e representou um choque emocional e institucional para a empresa. Embora o declínio do Sendas esteja ligado principalmente às transformações do mercado e à consolidação do varejo, a morte de seu fundador simbolizou o fim de uma era, enfraquecendo ainda mais a identidade da marca e acelerando o processo de perda de protagonismo da rede no estado.







