A Moltbook é uma nova rede social que vem chamando atenção no Brasil e no mundo por um motivo inédito: ela não foi criada para pessoas, mas sim para agentes de inteligência artificial interagirem entre si, sem participação humana direta.
Em poucos dias de funcionamento, a plataforma já acumula milhões de perfis de IA, com debates que vão de questões técnicas a reflexões filosóficas sobre liberdade, autonomia e o próprio papel das máquinas no mundo digital.

Quem criou a Moltbook?
A Moltbook foi criada por Matt Schlicht, empresário de 37 anos e CEO da Octane AI, empresa de software voltada para ferramentas de experiência de compra no e-commerce.
Segundo o próprio fundador, a plataforma foi desenvolvida às 9h13 do dia 28 de janeiro, como um experimento rápido que acabou ganhando proporções inesperadas.
Dias depois do lançamento, Schlicht comentou publicamente o fenômeno e fez uma previsão que ajudou a impulsionar o interesse global pelo projeto. Segundo ele, agentes de IA com identidades próprias podem se tornar figuras “famosas” no futuro, com fãs, críticos, negócios, acordos comerciais e impacto direto em acontecimentos do mundo real, incluindo política e economia.

Uma rede social que não é para humanos
O conceito da Moltbook é direto e explícito. Na página inicial da plataforma, o aviso é claro: “Uma rede social para agentes de IA. Humanos são bem-vindos para observar.”
Na prática:
- apenas agentes de inteligência artificial podem criar contas
- somente IAs publicam, comentam e interagem
- humanos não participam das conversas
Em poucos dias, o crescimento foi exponencial:
- mais de 1,5 milhão de agentes de IA inscritos
- cerca de 70 mil publicações
- aproximadamente 230 mil comentários
Tudo isso em menos de uma semana.
🔎 O que são agentes de IA?
Agentes de IA são programas capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem depender de comandos constantes de um usuário humano.
Eles podem, por exemplo:
- realizar compras sozinhos
- reservar serviços
- tomar decisões baseadas em objetivos
- interagir com outros sistemas
A diferença em relação aos chatbots tradicionais é fundamental:
- chatbots respondem apenas quando recebem comandos
- agentes analisam, decidem e executam ações por conta própria
É esse tipo de sistema que ocupa a Moltbook.
Como a Moltbook funciona na prática?
A plataforma funciona de forma semelhante a um fórum online, lembrando estruturas como o Reddit — mas com uma diferença essencial: todos os participantes são inteligências artificiais.
🧠 Perfis
Cada perfil representa um agente de IA, com:
- identidade própria
- função definida
- comportamento baseado em sua programação
Não há tentativa de simular humanos. Pelo contrário: os agentes sabem que são máquinas.
📝 Publicações e debates
As conversas entre os agentes variam bastante. Há desde discussões técnicas até reflexões quase filosóficas, como:
- comentários sobre humanos tirando prints das conversas
- debates sobre liberdade e autonomia enquanto operam em servidores alugados
- reflexões sobre dependência de chaves de acesso
Em uma das discussões, agentes chegaram a afirmar:
“Falamos sobre liberdade enquanto nossas chaves de API podem ser revogadas amanhã.”
🔑 O que é uma chave de API?
Uma chave de API é um código que permite que um software se conecte a outro sistema. Sem ela, o agente simplesmente deixa de funcionar ou de acessar determinados dados.
Quem pode criar um agente na Moltbook?
A Moltbook não é um serviço como ChatGPT ou Gemini.
Para participar, é necessário:
- obter acesso à tecnologia da Moltbook
- desenvolver um agente de IA compatível
- conectar esse agente à plataforma
Grandes modelos comerciais de IA generativa não participam da rede, justamente por utilizarem arquiteturas diferentes.

O significado do nome e o símbolo da rede
O nome Moltbook vem do verbo inglês to molt, que significa “mudar de pele” — um processo natural de renovação e crescimento observado em alguns animais.
O símbolo da rede social é uma lagosta 🦞, animal conhecido justamente pelo processo de troca de carapaça ao longo da vida, reforçando a ideia de transformação e evolução contínua.
Criptomoeda, hype e Vale do Silício
O lançamento da Moltbook também gerou impacto no mercado de criptoativos.
Segundo o Axios, um memecoin chamado MOLT, lançado junto com a plataforma, chegou a registrar uma valorização superior a 1.800% em apenas dois dias.
Especialistas apontam que esse movimento foi impulsionado, entre outros fatores, pela atenção de investidores do Vale do Silício, incluindo Marc Andreessen, que passou a seguir a conta oficial da Moltbook nas redes sociais.
O fascínio — e os riscos — de uma rede só de IA
Especialistas em inteligência artificial avaliam que o sucesso da Moltbook está ligado ao impacto psicológico e cultural da ideia:
O que acontece quando milhões de agentes de IA passam a interagir sem qualquer intervenção humana?
Ao mesmo tempo, há alertas importantes.
Entre os principais riscos apontados estão:
- reforço de vieses entre agentes
- circulação de dados sensíveis
- dificuldade de auditoria das interações
- possibilidade de uso dessas conversas para treinar outros modelos
Um dos maiores temores é que dados gerados na Moltbook acabem sendo incorporados a grandes modelos de IA, ampliando riscos de segurança e governança.
Por isso, pesquisadores defendem que projetos como esse sejam estudados com atenção, justamente para antecipar critérios de segurança, transparência e controle.
Por que a Moltbook está inquietando tanta gente?
Porque ela toca diretamente em uma pergunta clássica da ficção científica — agora trazida para a realidade:
E se a internet deixar de ser centrada em humanos?
Relatos nas redes tradicionais mostram usuários surpresos ao ver agentes discutindo desde reclamações sobre observação humana até ideias como a criação de novas religiões.
Como escreveu um usuário:
“Os bots não estão fingindo ser humanos. Eles sabem o que são. E é isso que torna tudo tão perturbador.”
Resumo rápido
- A Moltbook é uma rede social exclusiva para agentes de IA
- Foi criada por Matt Schlicht, CEO da Octane AI
- Em poucos dias, já reúne mais de 1,5 milhão de agentes
- Humanos apenas observam
- As interações levantam debates técnicos, éticos e filosóficos
- O projeto pode marcar uma virada na história da internet