As frentes de combate no Líbano, com o Hezbollah, e no Iraque, por milícias xiitas, surpreendem Israel e os Estados Unidos no conflito regional. As ações intensificam a pressão, redefinindo o cenário de segurança e a presença americana no Oriente Médio nesta quarta-feira (15). O Resumo explica e descomplica para você.
Hezbollah Intensifica Ataques no Líbano
A guerra de guerrilhas do Hezbollah no sul do Líbano tem sido uma das maiores surpresas, com o grupo anunciando dezenas de ações militares diárias contra as forças israelenses na fronteira.
– Quase 100 tanques Merkava foram destruídos, segundo o Hezbollah.
– 103 operações foram realizadas contra Israel somente nas últimas 24 horas.
O que isso muda na prática: Essa intensificação divide as forças de Israel em duas frentes, no sul e no norte, e aumenta a pressão sobre o sistema de defesa aérea israelense, impactando sua capacidade de concentração em outras áreas do conflito.
Iraque Endurece Posição contra EUA e Israel
No Iraque, o governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani elevou o tom contra os Estados Unidos e Israel após ataques que resultaram na morte de combatentes.
– Um quartel-general e uma clínica médica ocupada por milícias xiitas pró-Irã foram atacados na cidade de Habbaniyah.
– 15 combatentes das Forças de Mobilização Popular (FMP) foram mortos.
– O governo iraquiano autorizou as FMP a exercerem o direito à autodefesa e convocou o encarregado de negócios dos EUA em Bagdá para uma “carta de protesto veemente”.
– A Resistência Islâmica no Iraque reivindicou ataques com drones e mísseis contra bases e a Embaixada dos EUA em Bagdá.
– A Embaixada dos EUA em Bagdá emitiu alertas de segurança, desaconselhando viagens à embaixada ou ao consulado-geral em Erbil devido ao risco contínuo de ataques.
O que isso muda na prática: A crescente hostilidade do governo iraquiano e os ataques contínuos colocam em xeque a presença militar dos EUA na região, aumentando a instabilidade política e impactando a segurança das tropas americanas e a balança de poder no Oriente Médio.
Irã Conquista Vantagem Estratégica, Avaliam Especialistas
Especialistas em relações internacionais e geopolítica avaliam que o Irã pode estar em uma posição mais favorável neste estágio do conflito, graças à atuação de seus aliados.
– Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, aponta que a reativação da frente libanesa com o Hezbollah dividiu as forças israelenses em duas frentes.
– Segundo Zahreddine, a vitória das milícias iraquianas, forçando a saída dos americanos, enfraquece os EUA simbolicamente e aumenta a capacidade defensiva do Irã. Ele destaca a resiliência iraniana e a capacidade tática e de equipamentos do Hezbollah, que tem infligido danos significativos a tanques Merkava.
– O major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, afirma que o Irã está com uma “vantagem estratégica” sobre os EUA e Israel no campo de batalha.
– Costa detalha que as soluções iranianas em mísseis, drones e enxames de embarcações rápidas, que lançam mísseis antinavio, anulam o poder aéreo americano e israelense. Ele acrescenta que a recuperação do Hezbollah impede Israel de chegar por terra ao Rio Litani, e o uso de drones FPV pelo grupo tem se mostrado extremamente eficaz contra tanques israelenses nos locais mais vulneráveis.
– Ambos os especialistas concordam que EUA e Israel enfrentam um impasse no Oriente Médio, para o qual não encontram uma saída imediata.
O que isso muda na prática: A análise de especialistas sugere que a estratégia do Irã de apoiar frentes indiretas está surtindo efeito, elevando os custos do conflito para Israel e os EUA e forçando uma reavaliação das táticas militares e diplomáticas na região, com possíveis implicações no cenário de paz ou escalada.