Pela primeira vez na história, uma mulher conduziu uma bateria de escola de samba pela Marquês de Sapucaí. Laísa Lima, de 26 anos, fez sua estreia como mestra no domingo de carnaval, 18 de fevereiro de 2026, pelo Arranco do Engenho de Dentro, marcando um novo capítulo de inclusão no Carnaval carioca. O Resumo explica e descomplica para você.
Laísa Lima: Um marco para a representatividade feminina no samba
Laísa Lima, da Escola de Samba Arranco do Engenho de Dentro, Série Ouro, comandou os ritmistas prestando homenagem a Maria Eliza Alves dos Reis, a primeira palhaça mulher negra brasileira. Sua bateria, apelidada de Sensação, simbolizou o xote de Luiz Gonzaga, utilizado por Maria Eliza em seus shows, que se vestia de homem por não haver espaço para mulheres palhaças na época.
– Mestra de Bateria: Laísa Lima, 26 anos.
– Escola de Samba: Arranco do Engenho de Dentro (Série Ouro).
– Data histórica: Domingo de Carnaval, 18 de fevereiro de 2026.
– Homenagem: Maria Eliza Alves dos Reis (primeira palhaça mulher negra brasileira).
O que isso muda na prática: A performance de Laísa rompe uma barreira histórica, abrindo caminho para mais mulheres em posições de liderança e visibilidade no Carnaval, um ambiente majoritariamente masculino por décadas. Sua conquista reforça a importância da representatividade e diversidade.
A visão da pioneira Helen Maria e a nova geração do carnaval
Helen Maria da Silva Simão, 46, considerada a primeira mulher à frente de uma bateria de escola de samba no Rio de Janeiro, celebrou o feito de Laísa Lima em entrevista à Agência Brasil. Ela expressou orgulho e esperança na ascensão de novos nomes femininos, enfatizando o conhecimento técnico das mulheres na bateria, que antes só tocavam chocalho ou agogô.
– Helen Maria da Silva Simão: 46 anos, pioneira como mestra de bateria no Rio de Janeiro, na Unidos do Uraiti (2009-2010).
– Impacto cultural: Helen Maria vê na nova geração uma impulsionadora da diversidade no sambódromo, com novas identidades e influências musicais.
– Desafios enfrentados: Relatou ter sofrido muito machismo e a dificuldade de ser aceita em um posto considerado masculino, tendo que construir um legado sobre isso.
O que isso muda na prática: O sucesso de Laísa, com o apoio de pioneiras como Helen Maria, valida a capacidade feminina e cria um precedente para que mais mulheres busquem e conquistem espaços de comando, consolidando a transformação social no carnaval e inspirando futuras gerações.
Diversidade LGBTQIA+ também ganha espaço no comando
Além do marco feminino, o Carnaval 2026 também destacou a crescente diversidade com mestre Markinhos, 31 anos, que representa a comunidade LGBTQIA+. Ele desfilou mais um ano ao lado do pai, mestre Marcão, na Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, do Grupo Especial, misturando referências masculinas e femininas em suas indumentárias, como saltos altos.
– Mestre Markinhos: 31 anos, homem LGBTQIA+.
– Escola de Samba: Paraíso do Tuiuti (Grupo Especial).
– Função: Diretor de chocalho da agremiação.
– Declaração: Afirmou que a bateria sempre foi um ambiente machista, com poucos gays e mulheres, e que ainda há muita homofobia e transfobia no carnaval e no Brasil.
O que isso muda na prática: A visibilidade de mestres como Markinhos quebra estereótipos de gênero e sexualidade no samba, promovendo uma mensagem de inclusão e aceitação, e incentivando que o Carnaval seja um palco para todas as identidades, combatendo preconceitos arraigados.
A evolução histórica do papel da mulher na bateria
A pesquisadora de carnaval e professora de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helena Theodoro, especialista em estudos sobre cultura afro-brasileira, explicou que as baterias são o coração das escolas de samba, marcando a cadência do samba-enredo e as coreografias. Contudo, o posto de mestre foi historicamente majoritariamente masculino.
– Helena Theodoro: Pesquisadora de carnaval e professora de história da UFRJ.
– Análise histórica: A ausência de mulheres no comando refletia a sociedade, mas o limite começou a ser rompido a partir da década de 1960, com a consciência de que a mulher pode estar em qualquer lugar.
– Trajetória de Helen Maria: Começou no carnaval criança como porta-bandeira mirim e componente, até chegar à bateria no chocalho. Foi mestra da Unidos do Uraiti (divisão de acesso) entre 2009 e 2010. Atualmente, é mestra no Bloco Carnavalesco Novo Horizonte e dirige o naipe de chocalhos da Siri de Ramos.
O que isso muda na prática: A análise histórica e o exemplo de Helen Maria contextualizam a conquista de Laísa, demonstrando que é o ápice de um longo processo de luta e evolução social, reforçando a importância contínua de desafiar normas de gênero e buscar equidade em todos os campos culturais, transformando o carnaval em um espelho mais fiel da sociedade diversa.