Um mês após as enchentes e deslizamentos que ceifaram 73 vidas em Juiz de Fora e Ubá, moradores da comunidade Três Moinhos ainda enfrentam o drama da reconstrução em meio aos escombros. A tragédia, ocorrida na noite de 23 de fevereiro, deixou milhares de desabrigados na Zona da Mata Mineira. O Resumo explica e descomplica para você.
Famílias Resistem Entre Destruição e Falta de Apoio
Em Juiz de Fora, a rotina de Gilvan Leal Luzia, de 55 anos, personifica a luta dos afetados. Ele vive em um colchão improvisado na garagem, ao lado da casa destruída pela lama na comunidade Três Moinhos. Gilvan escapou por pouco da morte na noite de 23 de fevereiro, quando a catástrofe atingiu a região.
Sua situação atual, conforme observado em 19 de março de 2026:
– A residência de Gilvan ficou inabitável, forçando-o a dormir do lado de fora, mesmo com previsão de novas chuvas.
– Ele, que sofreu um infarto recentemente, não pode realizar esforço físico, mas depende de trabalhos informais para sobreviver.
– Gilvan afirma não ter recebido ajuda alguma até o momento, buscando apenas uma solução para morar.
O que isso muda na prática: A falta de moradia segura e a ausência de apoio imediato expõem Gilvan e outros moradores a riscos contínuos de saúde e segurança, além de minar a capacidade de se reestabelecerem economicamente na região de Juiz de Fora.
Impacto Econômico e Desafios Sociais Persistem
A feirante Kasciany Pozzi Bispo, de 36 anos, também enfrenta um cenário desolador na comunidade Três Moinhos. Sua principal fonte de renda, a venda de cana-de-açúcar, está paralisada há 30 dias devido à lama que impede o acesso de veículos. Sua casa foi interditada, assim como a de vizinhos, impactando toda a família.
Consequências para Kasciany e a comunidade, segundo relatos em 19 de março de 2026:
– Uma grande quantidade de cana-de-açúcar foi perdida, tornando o transporte da produção impossível sem acesso para veículos.
– As crianças da comunidade estão sem ir à escola, com a proposta de matrícula em colégios distantes, dificultando o acesso à educação.
– Moradores estão ilhados, sem máquinas para a limpeza das ruas, dependendo do esforço próprio para desobstruir acessos.
O que isso muda na prática: O cenário paralisa a economia local, afeta diretamente o ‘bolso’ das famílias e o acesso a serviços básicos como educação, gerando um ciclo de vulnerabilidade e isolamento para a comunidade de Juiz de Fora.
Prefeitura de Juiz de Fora Detalha Medidas de Apoio
Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora se manifestou sobre as ações para auxiliar as famílias atingidas pelas enchentes e deslizamentos. Os dados oficiais, divulgados nesta quinta-feira (19 de março de 2026), traçam um panorama da destruição e dos esforços de resposta na cidade.
As principais informações da Prefeitura de Juiz de Fora incluem:
– O auxílio calamidade municipal será creditado nesta segunda-feira (23 de março de 2026) nas contas do Cadastro Único (CadÚnico) das famílias afetadas.
– Foram contabilizadas 1.008 moradias completamente destruídas e oito imóveis demolidos na cidade.
– Famílias desabrigadas, inicialmente acolhidas em abrigos temporários, foram encaminhadas para hotéis do município.
– A rede municipal de ensino retomou as atividades em 101 unidades, mas cinco escolas permanecem sem aulas: EM Adenilde Bispo, EM Clotilde Hargreaves, EM Antônio Faustino, EM Santa Catarina Labouré e EM Murilo Mendes.
O que isso muda na prática: A liberação do auxílio financeiro traz um respiro imediato para as famílias cadastradas, mas o grande número de moradias destruídas e as escolas ainda fechadas indicam que a recuperação completa de Juiz de Fora será um processo longo, com desafios contínuos para a educação e a moradia da população.