A Agência Internacional de Energia (AIE), formada por 32 países, decidiu liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência, buscando conter a disparada dos preços globais. A medida foi anunciada em um cenário de alta, com o barril de Brent operando em elevação nesta quarta-feira (11), impactado pela guerra no Irã e pelo fechamento do estratégico Estreito de Ormuz. O Resumo explica e descomplica para você.
AIE Age Contra Crise Global de Petróleo
A coalizão de 32 países da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu unanimemente pela liberação de 400 milhões de barris de suas reservas de emergência de petróleo. O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, informou que esta ação visa mitigar os impactos imediatos da interrupção nos mercados causados pela guerra no Irã. Birol ressaltou que é o maior volume de reservas emergenciais de petróleo da história da agência, disponibilizando os 400 milhões de barris no mercado para compensar a perda de oferta decorrente do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.
O que isso muda na prática: Essa ação visa aliviar a pressão imediata sobre os preços do petróleo, que se refletem diretamente no custo dos combustíveis para o consumidor e na inflação global, especialmente em um cenário de instabilidade geopolítica.
Petróleo Brent Dispara com Crise no Estreito de Ormuz
Apesar do anúncio da AIE, o valor do barril de petróleo Brent operava em alta de 4% nesta quarta-feira (11), cerca de 30% acima do preço antes da guerra. Os valores do barril vêm disparando por causa do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que foi uma retaliação às agressões dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra Teerã. Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo ou derivados trafeguem pelo Estreito de Ormuz todos os dias, o que representa 25% de todo o comércio global de hidrocarbonetos.
O Irã voltou a ameaçar navios que trafegarem no Estreito de Ormuz e que possam beneficiar os EUA, Israel ou seus aliados. Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica prometeu que ‘nem um único litro de petróleo passará pelo Estreito de Ormuz em benefício dos EUA e seus aliados’. As autoridades iranianas alegaram ter atingido dois navios, um de propriedade israelense e outro de bandeira da Libéria, que teriam tentado atravessar o Estreito nesta quarta-feira sem autorização de Teerã.
O que isso muda na prática: A instabilidade no Estreito de Ormuz, uma rota crítica de petróleo, garante a manutenção de preços elevados e a volatilidade do mercado, criando incerteza econômica e de segurança para o transporte marítimo global.
Liberação de Reservas Tem Efeito Temporário, Alertam Especialistas
Para Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), o total liberado tem efeito limitado no tempo. Ela afirma que ‘trata-se de uma medida que pode contribuir para amortecer, no curto prazo, os impactos do conflito. No entanto, caso haja um prolongamento das tensões, os efeitos sobre o mercado de petróleo e gás global tendem a se aprofundar, podendo resultar em um quadro mais complexo no longo prazo’.
A liberação das reservas da AIE seria suficiente para substituir 20 dias do fluxo do Estreito de Ormuz. O montante representa um terço dos cerca de 1,2 bilhão de barris de reservas mantidos pelos países vinculados à agência, que se somam a outros 600 milhões de barris de estoques da indústria mantidos por obrigação governamental. Por outro lado, não foi estabelecido um prazo para liberação desse estoque. A AIE informou que ‘as reservas de emergência serão disponibilizadas ao mercado num prazo adequado às circunstâncias nacionais de cada país-membro’. A Agência Internacional de Energia é formada, majoritariamente, por países europeus; nas Américas, compõem a agência o Canadá, México, Chile e os EUA.
O que isso muda na prática: A medida da AIE é paliativa. Sem uma resolução do conflito, a pressão sobre os preços persistirá, exigindo soluções de longo prazo ou enfrentando contínuas altas nos custos de energia, impactando a economia global.
Crise Energética Se Estende ao Gás Natural; G7 Reage
Além do petróleo, o fornecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL) também preocupa a AIE. A agência destaca que há poucas opções para substituir o GNL que parou de chegar do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. Fatih Birol, chefe da AIE, afirmou que ‘o fornecimento global de energia foi reduzido em cerca de 20%’, com a Ásia sendo a região mais afetada no setor de gás, competindo acirradamente com a Europa e outros importadores por cargas de GNL disponíveis.
Em resposta à crise energética provocada pela guerra no Irã, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião dos países do G7 para discutir os desdobramentos nesta quarta-feira. O G7 é composto pelos Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França. Nos Estados Unidos, houve um aumento dos preços dos combustíveis nas bombas de 60 centavos o galão, chegando a US$ 3,50, o maior valor desde maio de 2024, segundo informou a Reuters.
O que isso muda na prática: A crise energética não se limita ao petróleo, afetando também o gás natural e exigindo uma coordenação global para buscar alternativas e mitigar o impacto econômico generalizado em diversos setores da sociedade.