Familiares de presos políticos venezuelanos completam nesta quarta-feira (18) 96 horas em greve de fome em Caracas, exigindo a libertação dos detidos. O protesto eleva a tensão no cenário político da Venezuela, com denúncias e incidentes. O Resumo explica e descomplica para você.
Famílias intensificam protesto por libertação
Um grupo de dez mulheres iniciou a greve de fome às 6h de sábado (14) nos arredores de uma unidade policial da Polícia Nacional Bolivariana, conhecida como Zona 7, em Caracas. O objetivo é pressionar pela libertação de seus familiares.
Na segunda-feira (16), uma das manifestantes desmaiou e precisou ser levada a um hospital de táxi, devido à falta de ambulâncias disponíveis, conforme relatou o ativista Diego Casanova, membro da Organização Não-Governamental (ONG) Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos.
O que isso muda na prática: A continuidade do protesto e o agravamento da saúde das manifestantes colocam mais pressão sobre o governo venezuelano, expondo a crise humanitária e política do país para a comunidade internacional.
Detidos aderem à greve e denúncias aumentam
O grupo de detidos dentro da delegacia iniciou a greve de fome ainda na sexta-feira (13), completando mais de 120 horas de protesto extremo até a segunda-feira (16). A ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos alertou na rede social X que ‘a indiferença e a falta de respostas do Estado continuam a colocar em grave risco a vida e a integridade destas mulheres e dos presos políticos’.
A mesma ONG denunciou na segunda-feira (16) que policiais impediram a entrada de soro para os presos, sem fornecer qualquer explicação, aumentando a preocupação com o bem-estar dos detidos.
O que isso muda na prática: A adesão dos detidos e as denúncias de impedimento de socorro médico intensificam a crise, gerando preocupação com a segurança e o tratamento dos presos e manifestantes, e podem inflamar ainda mais o debate sobre direitos humanos na Venezuela.
Promessa de anistia e o cenário político
O protesto das mulheres é motivado pelo descumprimento de uma promessa do presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, que em 6 de fevereiro havia assegurado a libertação de ‘todos’ os presos políticos, logo após a aprovação de uma lei de anistia. Ele estimou que a aprovação ocorreria ‘o mais tardar’ até a sexta-feira daquela semana.
No sábado (14), 17 detidos foram libertados na Zona 7, conforme informou Jorge Rodríguez. O processo de libertação e a discussão sobre anistia ocorrem em um ‘novo momento político’ anunciado pelo governo venezuelano, que é marcado por tensões históricas com os Estados Unidos.
O que isso muda na prática: A ambiguidade nas promessas de anistia e a continuidade das prisões políticas mantêm a instabilidade no cenário político venezuelano, impactando a confiança pública e as relações internacionais do país. A pressão dos EUA e a gestão interna do governo são fatores chave neste complexo panorama.