Nesta quinta-feira (13 de junho), as principais nações europeias, com exceção da Espanha, reafirmaram apoio político e de defesa aos Estados Unidos e Israel em suas ações contra o Irã. Essa postura levanta sérias preocupações sobre a fragilidade do direito internacional e o futuro da geopolítica global. O Resumo explica e descomplica para você.
Potências Europeias Alinham-se a Washington e Tel Aviv
As maiores economias da Europa têm manifestado apoio, seja político ou militar, aos esforços dos Estados Unidos e Israel na confrontação com o Irã. Essa postura contradiz normas do direito internacional e a posição oficial da Organização das Nações Unidas (ONU), que permite o uso da força apenas com autorização do Conselho de Segurança da ONU.
– Reino Unido: Não condenou os ataques contra Teerã, mas criticou as retaliações iranianas contra bases dos EUA no Oriente Médio. Londres oferece suporte logístico crucial para Washington a partir de suas bases na região.
– França: O presidente Emmanuel Macron prometeu aumentar o arsenal nuclear francês e enviou dois navios de guerra ao Oriente Médio para “operações defensivas”, ao mesmo tempo que critica o programa nuclear iraniano, que seria para fins pacíficos.
– Alemanha: Berlim se recusou a dar “lições” aos parceiros que agrediram o Irã, compartilhando dos objetivos de derrubar o governo de Teerã e oferecendo-se para contribuir com a “recuperação econômica” do país persa.
– Declaração Conjunta: Alemanha, França e Reino Unido exigiram o fim dos “ataques imprudentes” do Irã e anunciaram ações “defensivas” para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem”.
– Outros Apoios: Portugal autorizou o uso de suas bases militares nos Açores pelos EUA, e a Itália buscou apoio de defesa aos países do Golfo, além de criticar a “repressão” do Irã contra a população civil.
O que isso muda na prática: O alinhamento majoritário da Europa a EUA e Israel na disputa com o Irã fortalece a posição ocidental no conflito, mas também expõe uma fragilidade do direito internacional e pode intensificar as tensões geopolíticas no Oriente Médio, com reflexos na segurança e economia globais.
Análise do Cenário e Advertências Iranianas
O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que a Europa assumiu um lado claro no conflito, denominando o governo iraniano como “criminoso” sem convocar reuniões do Conselho de Segurança da ONU.
– Frágil Legalidade: Teixeira da Silva aponta que a ausência de condenação ética da guerra e a falta de discussão nas Nações Unidas fragilizam o direito internacional, esvaziando o sentido de negociações diplomáticas.
– Barganha Geopolítica: Segundo o especialista, a postura europeia pode ser uma tentativa de barganhar posição com Washington, em um contexto de ameaças do ex-presidente Donald Trump de tomar territórios como a Groenlândia e de desmantelar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A Alemanha, sob o premier Friedrich Merz, mostrou-se especialmente subserviente aos EUA.
– Reação Iraniana: Em resposta ao apoio europeu, a Guarda Revolucionária do Irã alertou que navios dos EUA, Israel e países europeus não devem cruzar o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio mundial de petróleo.
O que isso muda na prática: A análise aprofundada revela que a Europa, ao apoiar EUA e Israel, busca salvaguardar seus próprios interesses diante de Washington, mas corre o risco de deslegitimar instituições internacionais e provocar uma escalada que pode afetar diretamente o fornecimento e o preço global do petróleo, impactando o bolso do cidadão.
A Posição Divergente da Espanha na Crise
Em contraste com a maioria dos países da União Europeia, o governo espanhol de Pedro Sánchez manteve uma posição crítica e divergente em relação às ações contra o Irã.
– Críticas Diretas: Madri manifestou duras críticas à guerra movida por figuras como Donald Trump e Benjamin Netanyahu, desassociando sua posição do apoio ao regime dos aiatolás.
– Defesa da Não-Intervenção: A Espanha reiterou a importância da diplomacia e do direito internacional, evitando o alinhamento automático com as potências ocidentais e defendendo uma solução pacífica para o conflito.
O que isso muda na prática: A divergência da Espanha ressalta fissuras dentro da própria União Europeia em temas de política externa e segurança. Embora isolada, a postura espanhola pode representar um contraponto moral e legal importante, incentivando o debate sobre a conformidade das ações com o direito internacional.