A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, caso que comoveu o Brasil em janeiro de 2026. As autoridades pediram à Justiça a internação de um dos adolescentes envolvidos no ataque ao animal e indiciaram três adultos por coação de testemunhas durante a apuração.
Orelha era um cachorro comunitário que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis (SC), onde era cuidado por moradores locais, que o alimentavam e o protegiam.

📅 O que aconteceu
Na madrugada de 4 de janeiro de 2026, o cão foi brutalmente agredido por um grupo de adolescentes. Ele sofreu uma pancada contundente na cabeça, conforme apontou o laudo pericial, que indicou possível uso de um objeto rígido — como madeira ou garrafa. O animal foi encontrado agonizando por moradores e levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu aos ferimentos e foi submetido à eutanásia no dia seguinte.
🧠 Como a investigação foi conduzida
Para identificar o suspeito principal, a polícia:
- analisou mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança de 14 equipamentos na região;
- ouviu 24 testemunhas;
- coletou provas materiais, como roupas usadas no dia do crime;
- utilizou softwares de geolocalização para confirmar a presença do jovem na área.
A investigação apontou contradições no depoimento do adolescente, que inicialmente disse ter permanecido no condomínio, mas câmeras mostraram sua saída e retorno no horário do crime. O jovem também viajou aos Estados Unidos logo após as agressões, sendo abordado pelas autoridades ao retornar.

👥 Internação e indiciamentos
Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil solicitou a internação provisória do adolescente apontado como autor da agressão — medida equivalente à prisão dentro do sistema para menores de idade.
Além disso, três adultos — pais e um tio do suspeito — foram indiciados por coagir uma testemunha. A polícia afirma que eles teriam tentado intimidar um vigilante que possuía imagens consideradas fundamentais para esclarecer o caso.
🐕 Caso Caramelo também está na apuração
No mesmo inquérito, as autoridades também investigaram maus-tratos contra outro cão comunitário, chamado Caramelo. Nesse episódio, quatro outros adolescentes foram representados por envolvimento em atos contrários à proteção animal, após tentarem afogá-lo no mar, segundo a corporação. O Caramelo sobreviveu e foi posteriormente adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
🗣️ Indignação e repercussão nacional
O caso do cão Orelha ganhou repercussão em todo o país, mobilizando debates sobre violência contra animais, responsabilidade juvenil e impacto das ações de menores na sociedade. Em várias cidades brasileiras, manifestações cobraram justiça e punições mais rígidas para crimes de maus-tratos a animais.
Especialistas ressaltam que a conclusão do inquérito não encerra o caso, pois a defesa do adolescente questiona a força probatória de alguns elementos, argumentando que muitos são “circunstanciais” e não permitem conclusões definitivas sobre a autoria das agressões.

📌 O que está por vir
Com a conclusão do inquérito, os autos do processo foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário para as providências legais cabíveis. A Justiça deve decidir sobre a internação solicitada e sobre possíveis medidas contra os adultos indiciados por coação de testemunhas.
🐾 Resumo rápido
- O cão comunitário Orelha foi morto por agressões em Florianópolis no início de janeiro.
- A Polícia Civil concluiu a investigação e pediu a internação de um adolescente apontado como autor.
- Três adultos foram indiciados por coagir testemunhas.
- Outro cão, Caramelo, também foi alvo de abuso, mas sobreviveu e foi adotado.
- O caso ganhou repercussão nacional e debate sobre violência animal.