A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de terça-feira (24 de outubro), o projeto de lei antifacção, que prevê o aumento das penas para envolvimento com organizações criminosas e milícias no Brasil. A medida, de grande impacto na segurança pública, visa fortalecer o combate ao crime organizado em todo o território nacional. O Resumo explica e descomplica para você.
Detalhes da Tramitação e os Impactos Penais
O projeto de lei, proposto pelo governo federal, passou por debates e alterações tanto na Câmara quanto no Senado. O relator na Câmara foi o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que apresentou um substitutivo ao Projeto de Lei 5582/25.
O texto final, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estipula a tipificação de condutas específicas de organizações criminosas e milícias privadas.
As penas previstas são:
– Reclusão de 20 a 40 anos para crimes categorizados como domínio social estruturado.
– Reclusão de 12 a 20 anos para o favorecimento a esse domínio.
O que isso muda na prática: Com o aumento das penas e a tipificação de condutas, a nova legislação busca dificultar a atuação de líderes e membros de grupos criminosos, impactando diretamente a segurança e a sensação de impunidade em todo o país.
Principais Alterações e Exclusões do Texto
Na Câmara, o projeto, inicialmente chamado de “Marco legal de enfrentamento do crime organizado”, teve a maior parte das alterações feitas pelo Senado rejeitadas.
Entre as exclusões significativas, estão:
– A taxação de apostas (bets) para a criação de um fundo de combate ao crime organizado.
– Mudanças na atribuição da Polícia Federal em cooperações internacionais.
Adicionalmente, o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou que a futura lei poderá ser batizada com o nome do ex-ministro Raul Jungmann, falecido no mês anterior.
O que isso muda na prática: A rejeição da taxação das bets representa uma perda de potencial arrecadação de recursos para a segurança pública, como alertado por parlamentares. Contudo, a essência do endurecimento penal foi mantida, com foco nas restrições.
Restrições Severas para Condenados
O texto final impõe restrições rigorosas aos condenados pelos crimes previstos no projeto, visando desestimular a participação em organizações criminosas.
As novas restrições incluem:
– Proibição de ser beneficiado por anistia, graça ou indulto, fiança ou liberdade condicional.
– Negativa de auxílio-reclusão para dependentes, caso o indivíduo esteja preso provisoriamente ou cumprindo pena em regime fechado ou semiaberto por esses crimes.
– Obrigação de custódia em presídio federal de segurança máxima para aqueles com indícios concretos de liderança ou chefia em organizações criminosas, paramilitares ou milícias privadas.
O que isso muda na prática: As medidas visam reduzir drasticamente os benefícios e a flexibilidade para criminosos de alta periculosidade, impactando diretamente a estrutura de suporte e comando dessas facções, aumentando a segurança pública.
Reação Política e o Cenário Pós-Aprovação
A aprovação do projeto foi vista por líderes políticos como um marco no combate ao crime organizado.
– O presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a medida como a “resposta mais dura já dada ao crime organizado”, destacando um acordo entre o governo federal e a oposição para agilizar a votação.
– O líder do PSB, deputado Jonas Donizette (SP), elogiou o texto, considerando-o aperfeiçoado com pontos de ambas as Casas.
– O deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), vice-líder do PL, afirmou que o projeto será o “pontapé inicial” para afastar organizações criminosas da política.
Contrário à exclusão da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre bets, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) da base do governo, criticou a perda de uma arrecadação estimada em R$ 30 bilhões para a segurança pública.
O que isso muda na prática: A aprovação sinaliza um consenso político sobre a necessidade de endurecer as leis contra o crime organizado, apesar das divergências sobre as fontes de financiamento para a segurança pública, refletindo um impacto direto no cenário político nacional.