O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu em recente declaração a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A medida, enviada ao Congresso Nacional em abril do ano passado, visa dar mais autonomia à Polícia Federal para combater o crime organizado em todo o território nacional. O Resumo explica e descomplica para você.
A Necessidade da PEC da Segurança Pública
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. – A proposta foi enviada ao Congresso Nacional em abril do ano passado. – Seu objetivo principal é dar condições de trabalho e maior autonomia à Polícia Federal e outras instituições de segurança para atuar em todo o território nacional. – Boulos argumenta: “Se o crime organizado é nacional, como é que a Polícia Civil de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou da Bahia vai ter condições de fazer o combate no Brasil todo? Vai fazer no seu território”.
O que isso muda na prática: A aprovação da PEC permitiria uma atuação mais integrada e abrangente das forças federais contra organizações criminosas que operam em múltiplos estados, superando as barreiras territoriais impostas pela Constituição atual. Isso pode fortalecer o combate a grandes redes criminosas e a segurança pública do país.
Cooperação Internacional e a Crítica aos EUA
Boulos avalia que a PEC da Segurança Pública teria mais efetividade em uma possível ajuda do governo dos Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado. – Ele, no entanto, critica as intenções norte-americanas: “A preocupação do Trump não é com o crime organizado. Ele quer fazer da América Latina um quintal”. – A parceria entre Brasil e Estados Unidos é um dos assuntos da conversa de Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente Donald Trump, prevista para março. – Boulos defendeu que essa cooperação comece na investigação e prisão de criminosos que se escondem nos EUA. – Um exemplo citado foi um esquema de sonegação fiscal de aproximadamente R$ 26 bilhões, que envolve o empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos/Refit. – O ministro apelou: se os EUA não visam riquezas como petróleo e minerais, que iniciem colaborando com o Brasil na deportação desses investigados que vivem em “mansão em Miami”.
O que isso muda na prática: Uma cooperação internacional efetiva, especialmente com os Estados Unidos, poderia levar à extradição de criminosos financeiros e líderes de organizações que buscam refúgio em outros países. Isso impactaria diretamente esquemas de corrupção e sonegação que afetam o “bolso” do cidadão brasileiro e a integridade do cenário político.
Combate à Corrupção Interna e a Defesa da Democracia
O governo federal tem se empenhado em investigar crimes no Brasil, fortalecendo a Controladoria-Geral da União (CGU) para apurar casos, inclusive quando envolvem pessoas indicadas pelo próprio governo. – Um exemplo é a investigação das fraudes do INSS, um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões iniciado em 2020, antes do atual governo. – Boulos defendeu um debate saudável sobre segurança pública no Brasil, comprometido com a transparência e não contra as instituições. – Ele lembrou que, embora haja críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a condução do Banco Master, o papel da instituição na manutenção da democracia brasileira é fundamental. – Boulos enfatizou que “Ninguém está acima da crítica, nenhuma instituição está acima da crítica”, mas diferenciou a crítica legítima (como “criticar o Toffoli no caso do Master”) de atos como “querer fechar o Supremo ou fazer plano para matar um ministro do Supremo”.
O que isso muda na prática: A postura de investigar irregularidades, mesmo as que envolvem indicados políticos, e a defesa de um debate transparente e respeitoso sobre as instituições, reforçam a segurança jurídica e a confiança no Estado de Direito. Isso contribui para a estabilidade do cenário político e a percepção de justiça.