O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou sua saída da relatoria do inquérito que investiga as supostas fraudes do Banco Master. A decisão ocorreu após uma reunião crucial convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que abordou um relatório da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026. O Resumo explica e descomplica para você.
A Motivação por Trás da Saída
O pedido de afastamento de Toffoli veio à tona após a reunião, que durou cerca de três horas. O encontro teve como pauta o relatório da PF que apontava menções ao ministro em mensagens de celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Embora o teor exato da menção esteja sob segredo de Justiça, a revelação gerou pressão pública significativa para a saída do ministro da relatoria.
Inicialmente, a defesa de Toffoli havia pleiteado sua permanência na condução do caso. Contudo, diante do cenário e dos altos interesses institucionais, o ministro acatou a sugestão de se afastar. Com a saída de Toffoli, caberá agora ao ministro Edson Fachin a responsabilidade de redistribuir o processo de número 244 AS para um novo relator dentro do STF, garantindo a continuidade da investigação.
O Apoio Unânime da Corte
Em nota oficial, os dez membros do Supremo Tribunal Federal manifestaram apoio irrestrito a Dias Toffoli. Os ministros da Corte, reunidos na mesma data de 12 de fevereiro de 2026, declararam expressamente que não há motivos para suspeição ou impedimento do ministro, conforme os artigos 107 do Código de Processo Penal e 280 do Regimento Interno do STF.
A nota oficial ressaltou que o ministro Toffoli atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da República (PGR) durante o processo. Além disso, a Corte reconheceu a plena validade dos atos praticados por Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e em todos os processos a ela vinculados por dependência, reiterando a confiança em sua conduta e destacando que a saída foi a pedido do próprio ministro, valendo-se da faculdade prevista no RISTF, art. 21, III.
A Ligação com o Resort Tayayá e os Questionamentos
A pressão sobre Toffoli intensificou-se no mês passado, após reportagens jornalísticas indicarem irregularidades em um fundo de investimento vinculado ao Banco Master. Esse fundo adquiriu uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que anteriormente pertencia a familiares do ministro.
Em comunicado à imprensa, Toffoli confirmou ser um dos sócios do resort, mas negou categoricamente ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro em conexão com a transação. A contextualização desses fatos foi determinante para a decisão do ministro de solicitar o afastamento da relatoria, visando preservar a imagem da Corte e o bom andamento dos trabalhos investigativos.