No fim dos anos 1990, quando a internet ainda engatinhava na América Latina, criar um marketplace parecia coisa de ficção. Pouca gente tinha computador, menos ainda cartão de crédito, e a logística era precária em praticamente todos os países da região.
Mesmo assim, um jovem argentino decidiu apostar no impossível. Estamos falando de Mercado Livre, a maior empresa da América Latina em valor de mercado — e de seu fundador, Marcos Galperin.

A ideia que nasceu antes do mercado existir
A história começa em 1999, quando Galperin, então estudante da Universidade de Stanford, visualizou algo que quase ninguém enxergava:
o futuro do comércio seria digital, mesmo em países com infraestrutura limitada.
Inspirado por modelos como o eBay, ele decidiu criar um marketplace adaptado à realidade latino-americana, onde compradores e vendedores pudessem negociar diretamente.
O desafio era gigantesco:
- Baixo acesso à internet
- Falta de confiança nas compras online
- Sistemas de pagamento pouco desenvolvidos
- Logística fragmentada
Ainda assim, o projeto saiu do papel.
Os primeiros anos: desconfiança, prejuízo e persistência
Nos primeiros anos, o Mercado Livre cresceu lentamente. Muitos diziam que:
- O modelo não funcionaria na América Latina
- O público não confiava em compras online
- O mercado era pequeno demais
A empresa operou no prejuízo por bastante tempo, focando em ganhar escala, usuários e confiança, antes de pensar em lucro. Essa visão de longo prazo foi decisiva.

O ponto de virada: pagamento e logística próprios
O verdadeiro salto do Mercado Livre aconteceu quando a empresa deixou de ser apenas um site de anúncios e passou a construir infraestrutura própria.
Duas decisões mudaram tudo:
Mercado Pago
Criado para resolver a falta de meios de pagamento confiáveis, o Mercado Pago virou um dos maiores sistemas financeiros digitais da região, indo muito além do e-commerce.
Logística integrada
Com o avanço do Mercado Envios, a empresa passou a controlar parte da entrega, reduzindo prazos e aumentando a confiança dos consumidores.
O Mercado Livre deixou de depender do ecossistema — e passou a criar o próprio ecossistema.
“Mas como uma empresa que nasceu em um mercado desacreditado conseguiu construir pagamento, logística e tecnologia próprios — e se tornar a maior da América Latina?”
Crescimento acelerado e liderança regional
Com o avanço da digitalização e, mais tarde, o impulso do comércio eletrônico durante a pandemia, o Mercado Livre acelerou como nunca.
Hoje, a empresa:
- Atua em diversos países da América Latina
- Emprega dezenas de milhares de pessoas
- Lidera o e-commerce na região
- É referência em fintech e logística
Seu valor de mercado superou gigantes tradicionais, consolidando-se como a empresa mais valiosa da América Latina.
Marcos Galperin e a cultura da visão de longo prazo
Diferente de muitos empreendedores, Galperin sempre manteve um perfil mais discreto. Sua marca registrada foi:
- Foco em execução
- Apostas de longo prazo
- Reinvestimento constante
- Tolerância a prejuízos iniciais
Essa mentalidade permitiu que o Mercado Livre crescesse sem depender exclusivamente de modismos ou ciclos curtos.
Uma história que vai além do sucesso empresarial
A trajetória do Mercado Livre mostra que:
- A inovação não depende apenas de tecnologia
- Mercados “difíceis” podem gerar gigantes
- Infraestrutura é tão importante quanto produto
- Visão de longo prazo vence o ceticismo
O que começou como uma ideia desacreditada em 1999 se transformou em um dos maiores casos de sucesso da história do empreendedorismo latino-americano.