Ela parecia uma parceria inédita entre dois grandes nomes da música brasileira. A voz feminina lembrava imediatamente Luísa Sonza. A voz masculina soava como Dilsinho.
A canção era intensa, melancólica e emocionalmente poderosa. Em poucos dias, “A Sina de Ofélia” se espalhou pelas redes, entrou em playlists, viralizou em vídeos curtos e passou a ser tratada como um dos hits mais comentados do país. Mas tudo aquilo era uma ilusão.
Não havia dupla, nem gravação real
Apesar da aparência de uma colaboração entre artistas consagrados, “A Sina de Ofélia” não foi gravada por nenhum cantor real.
A música foi criada com Inteligência Artificial, utilizando:
- Modelos de IA para composição musical
- Geração automatizada de letra
- Imitação sintética das vozes de Luísa Sonza e Dilsinho
O objetivo era claro: soar como uma parceria inédita entre os dois, algo que despertaria curiosidade imediata no público brasileiro — e funcionou.
A origem internacional da canção
Outro detalhe pouco conhecido ajudou a impulsionar o caso. A estrutura da música é baseada em “The Fate of Ophelia”, uma canção atribuída à Taylor Swift, que circula na internet associada a estilos melancólicos e narrativos.
A versão em português adaptou:
- Tema
- Clima emocional
- Progressão musical
Criando uma nova obra que parecia original, mas que carregava elementos reconhecíveis, o que levantou alertas de direitos autorais.
O sucesso veio — e a remoção também
Justamente por parecer uma parceria real entre artistas brasileiros famosos, a música viralizou rapidamente. Muitos ouvintes:
- Compartilharam acreditando ser oficial
- Comentaram sobre a “nova fase” dos cantores
- Criaram vídeos emocionais com o áudio
Pouco depois, plataformas começaram a remover a música por violação de direitos autorais, tanto pelo uso de vozes imitadas quanto pela base musical inspirada em obra protegida. O hit desapareceu quase na mesma velocidade em que surgiu.
Por que tanta gente acreditou?
O caso escancarou algo novo — e inquietante.
A IA conseguiu:
- Reproduzir timbres reconhecíveis
- Simular emoção convincente
- Criar uma narrativa triste e envolvente
- Enganar até ouvintes atentos
Para o público, a emoção parecia real.
E, naquele momento, isso foi suficiente.
O fenômeno
Escute a música abaixo:
O que “A Sina de Ofélia” revelou sobre o futuro da música
O caso deixou lições claras:
- A IA já consegue criar hits emocionais
- Vozes podem ser reproduzidas com alta fidelidade
- O público nem sempre distingue o que é real
- Direitos autorais entram em território inédito
Mais do que uma música viral, “A Sina de Ofélia” virou um alerta sobre os limites entre criação, tecnologia e ética na indústria musical. Talvez o ponto mais perturbador seja este: milhões se emocionaram, cantaram e compartilharam — sem saber que a voz nunca existiu.







