O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (12) a futura criação do Ministério da Segurança Pública. A medida, que redefine a atuação federal no combate ao crime organizado, depende da aprovação da PEC 18/25 pelo Senado. O Resumo explica e descomplica para você.
A Visão de Lula para a Segurança Federal
Lula condiciona a criação do Ministério à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, já aprovada na Câmara dos Deputados.
O objetivo é definir claramente o papel do governo federal na segurança pública antes da criação do novo órgão.
O presidente destacou a crítica histórica à Constituição de 1988, que atribuiu “quase toda a responsabilidade” de segurança pública aos governos estaduais, muitas vezes sob a gestão de um general de quatro estrelas no governo federal da época.
Há uma necessidade atual de o governo federal voltar a participar ativamente, mas com critérios e determinação, sem ocupar o espaço dos governadores ou das polícias estaduais.
O foco é a colaboração mútua, reconhecendo que o crime organizado se aproveita da divisão entre as esferas federativas.
O que isso muda na prática: Esta abordagem busca centralizar a estratégia federal de segurança, otimizando recursos e ações para uma resposta mais coordenada contra grupos criminosos, impactando diretamente a segurança pública em nível nacional.
A PEC 18/25: Detalhes da Proposta
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25 é conhecida como PEC da Segurança Pública.
Foi elaborada pelo governo federal após consultas a governadores.
Apresentada pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, à Câmara dos Deputados.
Suas metas incluem desburocratizar e aumentar a eficiência no trabalho de autoridades para combater organizações criminosas.
Um dos mecanismos previstos é a maior aproximação entre entes federativos e o governo federal.
Fortalecimento do SUSP e Integração Nacional
Um pilar central da proposta é conferir status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que foi criado em 2018 por lei ordinária.
O objetivo é desburocratizar procedimentos que, no formato atual, dificultam a ação das autoridades.
Prevê-se uma maior integração entre a União e os entes federados para elaborar e executar políticas voltadas à segurança pública.
Para isso, a PEC prevê a padronização de protocolos, informações e dados estatísticos.
Atualmente, o Brasil possui 27 unidades federativas, o que resulta em 27 certidões de antecedentes criminais distintas, 27 possibilidades de boletins de ocorrências e 27 formatos de mandados de prisão.
O que isso muda na prática: A padronização e a integração propostas pela PEC 18/25 são fundamentais para agilizar investigações e operações policiais, facilitando o rastreamento de criminosos e a troca de informações entre as forças de segurança. Isso tem impacto direto na capacidade de resposta à criminalidade e visa um cenário de maior segurança para o cidadão.